terça-feira, 10 de maio de 2016

Vai, meu bem... Procurar alguém pra amar que não sou eu

Respira, tão perto
Mas nem imagino onde está
Deitou se e saiu
Não tinha interesse em ficar

Choro contido
Numa noite sem sono
Já são três e pouco
E não vou me refazer
Que chegue logo as cinco
Que eu vá trabalhar e esqueça disso

Se já não me quer
Me deixa sentir o frio
Que me convém
Sei que é ruim
Mas ao menos decido
Que desta miséria
Eu já não compartilho
Antes só comigo
Do que só te fazendo de abrigo

Quero
Ser
Livre
Nem que pra isso
Tenha que estar só

domingo, 8 de maio de 2016

"Mais amor sem dúvida, por vontade...sem favor".


Despertava de um sonho que trazia em si as angustias que conscientemente não lhe davam palavras para procurar ajuda. Era parte, pelos seus hormônios que lhe pregavam peças, com desconfianças e inseguranças que encontravam provas em sorrisos, olhares ou vestígios secretos que sua mente produzia. Mas não era só os hormônios, eram seus peitos que cresciam lentamente provocando desconfiança se seus companheiros os reconheciam e por eles poderiam se interessar. Era à seco: a dúvida se à ela o amor só poderia ser apresentado como um favor, nunca um desejo ou um sentimento sincero. A noite anterior, havia reforçado estas ideias que não lhe fugiam a cabeça. Compartilhava carinho com um amigo-companheiro, dormiam juntos, amavam-se sem paixão de namorados, mas com o desejo de se verem bem. O toque provocava mais nela, do que nele, o desejo, o anseio de alcançar um gozo que já não produzia, graças as injeções quinzenais que escolhera não abrir mão. O gozo não viria, mas talvez se realizaria mais, se pudesse provocar nele esse "atropelamento" que deixava a cabeça muito lerda para acompanhar os suspiros e as contrações do corpo. Ele a tocava, depois parava. Beijá-a, depois parava. E nela, isso provocava a dúvida, senão a beijava para não ser mal educado ou desrespeitoso. Se todo o carinho não era preocupação de não deixá-la triste ou senão cedia um pouco, também por não ter ainda voltado aquela montanha-russa que com ela não poderia ter.

Levantou-se, organizou a cama e desceu as escadas tentando encontrar sentido nas angustias que escondia dele, para não levar a relação a outra dimensão ou duvidar dele à maneira de provocar chateamentos ou mais pena, caso fosse verdade. Sabia que apesar de não haver regras estabelecidas, ele era a melhor relação que ela já teve com um homem, ainda que não fosse uma relação amorosa. Ainda assim, havia amor. E disso ela jamais duvidava. Mas tinha sido pega na sua própria armadilha, de nunca ter se proposto a vê-lo com estes olhos, e pouco a pouco, percebia que ele era alguém fácil para se entregar. E que em muitos momentos gostaria que ele a procurasse pra isso. Permitia-se transformá-lo, ele em poesia, ela em poeta. Mas era mais expectativas que já conhecia, de um sentimento e uma busca que desconhecia. Terminou o café, e na primeira xícara reconheceu que até mesmo pra ela, tinha sido muito pó e pouco açúcar. Mas condizia com suas aflições. É sempre um pouco mais amargo, do que doce.

Voltou ao quarto, já que não havia um lugar sequer que quisesse ir hoje. Acendeu um cigarro vermelho, e pensou em escrever-lhe uma carta. Desistiu antes mesmo de lembrar-se onde estavam os papeis e uma caneta que funcionasse. Ele não poderia defender-se, então ou assumiria seu desamor ou encontraria um jeito de afastar-se. Ela, acostumada com a miséria das relações, buscava se manter independente e nos dias mais tristes, não lhe recorria, porque era pior aliviar-se de pena do que segurar seu coração acelerado e sua mente confusa contra as horas que não lhe traziam sono algum. Torturava-se em guardar neste aspecto um vidro que impedisse adentrar todas essas frustrações, que já estavam abalando o resto todo. Sabia, por experiência, que não se deve entregar-se sem garantir os pés presos ao chão e o coração com algumas reservas. Do contrário, a dependência custaria mais alguns meses até separar-se das ilusões que ela mesma criava. E mesmo sem querer reproduzir seus medos das relações passadas, eles a acompanhavam e não podiam deixá-la em paz.

Lembrava-se que dos homens conhecia apenas duas reações, dos que a desejavam tanto sexualmente que não tinham mais espaço para coragem de desenvolver qualquer relação afetiva, e dos que, assim como este que lhe segurava as mãos, beijava o pescoço e lhe fazia sentir-se humana, faltava-lhe o desejo. Sempre um sentimento incompleto, ou o corpo ou a alma, e ambos nunca se encontraram. Como era difícil sentir-se bem sendo quem lutou para ser. Pensava se mandá-lo embora, ajudaria em algo e não precisava de um minuto sequer para ver que não. Mas sentia-se num beco sem saída. Talvez, esquecer-se disso tudo e aguardar o momento em que ele, pela vida, a deixasse, seria agir de maneira mais segura. Preparar-se para isso, era o que talvez fosse o mais estratégico a ser feito. Talvez depois disso, novos amores impusessem à ela outras maneiras de ver. Mas à essa hipótese, ela não mais queria pensar. Sozinha na casa, poderia encontrar-se e buscar o prazer que a dois não encontrava. Mas não podia, e sabia disso, já não lhe restava libido próprio ou o medo de se machucar nesta busca, já tiravam-lhe este anseio. Até quando? A contradição que lhe atormentava, na vida, era que responder-se negando-se ou anulando-se já contradizia sua atividade militante. Não conseguia sorrir, por aquela tarde. Os castigos secretos que denunciava em outros artigos que escrevia, marcavam nela uma dor silenciosa, vergonhosa e que preferia esconder. Guardar este homem dos seus pensamentos, era novamente separar sua vida artificialmente, mas à ela, falava coragem para mais uma batalha.

Desceu as escadas e deitou-se no chão. Que a prosa lhe trouxesse paz, pediu. Não trouxe. Mas ao mesmo registrou seu grito aqui.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Partido

Antes que novas palavras
Levem o peso do meu coração descompassado
Sinto imensamente minha solidão
Como nunca tão forte

Decidi que vou até o fim
O coração grita e se rebela
Tortura fazer se tão só
Quando o frio e o travesseiro
Esperam uma companhia que não vem
Inventei à mim mesma
Por consolo ou auto piedade
Mesmo sem dizer
Mesmo sem querer

Confusa
Coração-Bomba explode
Como nunca!
Confusa
Coração-Bomba explode
Não há fuga

Não quero ver ninguém
Não quero ser alguém
Não quero pensar além
Só conseguir respirar
Pelo menos, uma vez



Desesperada

Antes de cruzar o farol
Já te quis e decide por deixa-lo
Quero matar no peito
Mas morro sufocado
Queria que tivesse ficado
Mas meu desejo é censurado
A realidade está tão distante
Desse crime planejado
Quase um atentado
À minha estabilidade
Tão frágil

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Por não

Não exijo o amor
Também pouco sei pedir
Quero que fique
Que me ajude a descobrir
As palavras
Quis tanto não incomodar
Que me fiz invisível
Passei batido
Não deu tempo pra sentir falta
Ou me fazer sentido

Vergonha

Tenho uma bomba contrarevolucionaria
Dentro do meu peito
Cuido para que a cada toque
Escape menos verdade do que se deve

Se ao menos, pudesse me afastar
Com todo cuidado para não ser vista
Desaparecer sem ninguém notar
Graças ao não querer incomodar
A humilhação não tomaria forma
No meu rosto como agora escorrem lágrimas

Tenho uma metralhadora reacionária
Que atira em cada um dos meus amores
O meu fracasso como uma nova decepção
Se mal posso manter minha cabeça levantada
É porque conheço a verdade do que estou dizendo
Não posso mais seguir com um sorriso rosto e o coração dilacerado

Dos amores
Só pude utiliza-los ao meu egoísmo
De artificialmente me sentir mais forte
Mas se ficaram por pena ou qualquer outro motivo causado pela minha fraqueza
Fomos tão desonestos quanto nos propusemos ser

Tenho uma bomba contrarevolucionaria
No meu peito que quer explodir
Repetir todas as desculpas pra correr de tudo
Não olhar pra tras, pois causa vergonha tamanha quanto a de ficar
Seria melhor que ao explodir também transformasse em mim
Mas só pode revelar
A covardia
Que sou

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cura

Nós dias frios
Tão difíceis de andar com as próprias pernas
Melhor não sair da cama
Invés de apoiar-se em tipos de amor
Mascaram, a dor que sinto

Minhas pernas se mantém
Não faria diferença correr
Não tem lugar que me faça esquecer
Meus braços seguem presos a mim
Indiferente porque não há abraço
Que cure o vazio da certeza que

O caminho e a consciência não vão retroceder
Exigem cada dia mais do pouco que não basto
Choro ou sem choro, me pergunto até quando
Arrasto em mim o sonho e meu fracasso
Até quando consigo escapar e me desfaço
Queria por um fim,
De uma vez